5 de fev de 2011

Do dia:

"Eu sou a que no mundo anda perdida,
 Eu sou a que na vida não tem norte,
 Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
 Sou a crucificada... a dolorida...
 Sombra de névoa tênue e esvaecida,
 E que o destino amargo, triste e forte,
 Impele brutalmente para a morte!
 Alma de luto sempre incompreendida!...
 Sou aquela que passa e ninguém vê...
 Sou a que chamam triste sem o ser...
 Sou a que chora sem saber por quê...
 Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
 Alguém que veio ao mundo pra me ver,
 E que nunca na vida me encontrou!"


Florbela Espanca


Eu não sou um ser do outro mundo, ou de outro planeta, mas eu não preciso ser igual você, às vezes não me reconheço no espelho, não sei de mim, talvez porque não sou mais aquela garotinha doce e meiga,  hoje sou a determinada e convicta, não sou o que era nem o que eu nunca fui.
Hoje apenas mudei o meu jeito de reagir às coisas, posso ser as lágrimas da minha dor, a descrença na amizade, o medo do sofrer, a solidão na multidão, ou certeza em duvida de ser ou não ser capaz.
Mas mesmo assim, restou os sonhos do ter e do ser.
Sonhos cinzas, com pouca esperança, mas ainda são sonhos.
Sempre serão os meus sonhos, não os seus.
Por isso as perguntas rodeiam a minha mente, de uma forma perplexa e irredutível.
Para que tanta hipocrisia?
Se o mundo é tão belo e tão miserável, ao mesmo tempo.
Não sou e não quero ser o centro do mundo(é só saber interpretar as minhas palavras confusas).
Mas às vezes bate uma revolta!
Revolta, sim, àquela raivinha do que as pessoas fazem com o mundo e com os outros.
Ah, é só a imperfeição do ser humano.
Eu também não sou perfeita, e não significa que tenha que sofrer pelos seus erros.
As minhas lágrimas são raras e eu ainda ando na avenida dos meus sonhos destruídos.

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